quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A História do Dinheiro que você não conhece – parte 1


Talvez você não entenda ainda a importância de estudarmos a história do dinheiro, mas concorda comigo que conhecer todo o passado e o presente de algo ajuda-nos a poder melhor determinar o que poderá acontecer no futuro e como tirarmos proveito disso?
Observe o mundo ao seu redor: algumas pessoas possuem muito dinheiro, outras têm muito pouco. É conhecido que a maior parte das riquezas do mundo concentram-se nas mãos de um pequeno número de pessoas, uma grande parte possui somente uma pequena parcela e os demais vivem em situações de miséria e dificuldades financeiras. Mas por que as coisas funcionam desse jeito? Quem ou o que determina quanto dinheiro cada qual terá? E qual é, afinal de contas, o real papel do dinheiro em nossa sociedade?
Estudar a história do dinheiro irá ajudar-nos a compreender como o mesmo evoluiu até chegar ao que é hoje e, assim, poderemos entender um pouco mais por que algumas pessoas alcançam o sucesso financeiro, enquanto outras não.
Surgimento do dinheiro
A ideia do dinheiro, o conceito que há por trás daquela “moedinha” que todos nós usamos em nossas compras começa há muito tempo atrás, mas não, não estamos falando da Idade das Cavernas, falamos de algo mais próximo. 
Após aprender a domesticar animais, desenvolver conhecimentos rústicos de agricultura, assimilar a importância de evoluir caçadores em soldados capazes de defender o grupo, ohomem começou a desenvolver mais e mais papéis importantes para a manutenção da comunidade, crescendo não somente em diversidade mas também em complexidade, assim, uma pessoa não mais conseguiria sobreviver sozinha e precisaria desempenhar muito bem o seu papel naquele grupo para que a estabilidade se mantivesse: desenvolvíamos assim o conceito de sociedade.
Como disse, uma pessoa não mais poderia sobreviver sozinha: alguém que plantava arrozais necessitaria obviamente de vários outros alimentos a fim de sobreviver, bem como poderia precisar de cavalos para se locomover e armas para se defender. Esta pessoa não possuía tudo o que precisava, mas aquilo que produzia era mais que suficiente para si próprio e para outros.
O homem então começou a desenvolver o escambo, a troca de determinados produtos por outros produtos. Conforme o escambo crescia e passava a ter um local fixo e bem regimentado para a sua execução, começávamos a desenvolver um outro conceito bastante utilizado em economia e finanças: o mercado.
A lei da oferta e da procura falava mais alto, sendo assim, produtos em falta poderiam ter seu preço elevado facilmente, similar ao que acontece hoje, mas naquele momento ainda haviam vários problemas: era necessário trocar um produto por outro a fim de ter o que desejava, o que obrigava a pessoa a carregar os mesmos, além disso, produtos perecíveis quando produzidos em grande quantidade poderiam ser difíceis de armazenar por longos períodos, o que significava que mais tarde, quando precisasse trocá-los, eles poderiam ter perdido o seu valor (estragado).
Era necessário, então, amarrar o preço de tudo a um “produto” ou item que fosse mais facilmente transportado, bem como não fosse perecível, não perdesse seu valor com o tempo.
Vários elementos foram usados então como unidade monetária, passando pelo gado e pelo sal (de onde provém a palavra salário), até chegar no ouro.
O ouro possuía diversas vantagens: por ser um metal bastante estável, não perde suas propriedades ao longo dos anos, mantendo-se assim por muito tempo. Além disso, seu uso poderia ser mais facilmente controlado, o que facilitava às autoridades “controlar o dinheiro da população”.
Perceba que desde quando começamos a ter o conceito de sociedade certos grupos foram mais beneficiados que outros. Com o tempo, os grupos beneficiados utilizam-se de seus benefícios a fim de conseguir novos benefícios. O conhecimento dessa informação é importante para que se possa compreender por que vemos tanto “ricos ficarem mais ricos e pobres ficarem mais pobres”, como se diz no jargão popular.
Pois bem, enquanto a moeda era o ouro, a quantidade de moedas em circulação não poderia ser alterada facilmente, ajudando assim a manter as riquezas – ninguém poderia “multiplicar dinheiro” sem ouro.
Dinheiro, o fim do feudalismo e o capitalismo
O conceito de dinheiro já existia no feudalismo (na verdade, como comentamos anteriormente, nasceu muito antes, ainda na Antiguidade, segundo alguns historiadores, por vota de 2500 a.C. e a primeira moeda foi cunhada no séc. VII a.C. na Lídia), mas pouco era divulgado.
Veja bem: toda a economia girava em torno da produção dos feudos, grandes áreas agropecuárias pertencentes aos senhores feudais. Cada senhor feudal distribuía setores de seu feudo a seus vassalos, senhores que cuidariam daquelas terras como se fossem donos, fazendo-as prosperar e assim gerar riquezas (os produtos lá colhidos ou criados).
Os feudos eram muitas vezes auto-sustentáveis, formando assim um ambiente ideal para a prática do escambo, o que acabou levando o mesmo a ser quase “apagado”.
Entretanto, com o tempo os feudos passaram a se tornar insustentáveis – havia a necessidade de fortalecimento e centralização novamente do Estado (cada feudo agia quase completamente independente dos demais), a sociedade continuava a se desenvolver e as atividades agropecuárias não poderiam mais ser as únicas desenvolvidas. Começavam a nascer as oficinas de artesãos que criavam novos produtos como calçados, roupas, itens decorativos, móveis, armas, enfim, a economia começava a complexificar outra vez e era necessário que houvesse, outra vez, uma moeda forte capaz de permitir o desenvolvimento do livre comércio.
Feudalismo cai, uma nova sociedade muito mais diversificada nasce e um novo sistema econômico começa a ser difundido: o capitalismo, onde produção e comércio são guiados por princípios que giram em torno do capital e hábitos consumistas começam a ser desenvolvidos pela população.
O capitalismo passou por inúmeras transformações no decorrer dos anos, sendo em minha opinião três as principais: a Revolução Industrial, as Grandes Guerras (Primeira e Segunda Guerra Mundial) e o comércio eletrônico. Poderia tentar falar sobre como cada uma dessas impactou o capitalismo, tornando-o no que ele é hoje, mas acredito que isso somente estenderia ainda mais esta nossa seção (que já está um pouco grandinha) e pode ser um pouco desnecessário, já que falaremos um pouco mais sobre como o dinheiro funciona hoje (e consequentemente, sobre o comércio eletrônico) mais à frente.
A princípio, eu esperava desenvolver todo esse conteúdo em um único artigo, mas acredito que já há bastante assunto por agora, de forma que encerraremos por aqui hoje e no próximo artigo (a segunda parte deste) falaremos mais sobre o impacto do dinheiro em nosso mundo, como o mesmo funciona hoje, a “conspiração” que há (denominada por Robert Kiyosaki “Conspiração dos Ricos”) e como você pode criar a sua “história do dinheiro”.
E então, amigo leitor, está gostando de conhecer um pouco mais sobre a história do dinheiro? Comente, participe!
[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o curso Educação Financeira]

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